quinta-feira, 10 de junho de 2010

ROSTO INTERNACIONALISTA DO MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES - MPA

O MPA saiu do III EN com um novo caráter e nova dimensão nas lutas e missões. Se nos definimos como “movimento camponês, que se propõe resgatar a identidade, o modo de vida e os valores da classe camponesa que aparecem com diversos rostos, das diversas populações e regiões do Brasil” (MPA, Janeiro de 2005), hoje, as exigências históricas nos pedem para repensar uma nova reelaboração, tendo em vista o rosto internacionalista revelado e reconhecido no EN.

Este novo rosto já vem a mais tempo se configurando, mas o batismo se deu com o reconhecimento público por parte das delegações dos continentes, que deram significado novo á existência e organização do MPA, desafiando o Movimento a tarefas internacionalistas.

Uma das tarefas atribuídas ao Movimento é ser Esperança Internacional no campo popular, especificamente entre os camponeses. Esperança porque, apesar do descenso e ausência de referenciais, o MPA manifesta vigor, lucidez, combatividade ao capital, tem bases, uma proposta original para a agricultura camponesa (Plano Camponês). Junto a esta tarefa, o MPA, pela experiência organizativa, produtiva, política, é reconhecido como força campesina internacional, foi desafiado a alargar seus horizontes, se espraiando para todos os rincões das Américas, África, Ásia, onde tiver camponês disposto a organização, a construir mundo novo.

O Movimento ao adquirir outro caráter, internacionalista, passa a responsabilizar-se mais diretamente, tomando posições políticas, ideológicas e práticas a altura de suas novas exigências, seja através das moções (apoio ás lutas de outros povos, repúdio a ações imperialistas, denúncia de injustiças e mentiras de governos e seus instrumentos de comunicação, etc.), seja pelo envio de brigadas de solidariedade, de trabalho militante e voluntário, seja pelo envio de militantes a vários países irmãos para troca de experiências, estudo, qualificação.

Nisso somos encorajados pela práxis de Che Guevara (1991) que sempre via na atividade revolucionária uma atividade permanente, sem fim, até que não se consolidasse a nova sociedade em escala mundial. Assim, o que garantirá o internacionalismo será a solidariedade, o espraiar pelos diversos espaços. A luta pela construção do socialismo exige consciência e posturas novas, atitudes fraternais diante da humanidade, união com os povos que estão em luta pela libertação da tirania. Nossa solidariedade internacionalista deve se fundar em convicções, em projetos, na ética de militantes. Nossa postura, tal como disse Che, deve ser revolucionária e humana, pois o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor.

O MPA sai do III EN com este novo caráter, com mais este traço em sua fisionomia; um rosto solidário e internacionalista. Se nosso objetivo é a produção de comida saudável para os brasileiros, saímos com o compromisso de soberania alimentar para todos os povos; com os demais povos buscamos o resgate da identidade, da cultura camponesa, da dignidade humana. A propósito, Dominico Losurdo, filósofo italiano, em recente visita ao Brasil (maio/2010), afirmou que a nova solidariedade internacionalista passa pela percepção de que a feição moderna das lutas de libertação, fortemente vinculadas pelas necessidades emancipacionistas dos povos, requer um novo bloco histórico significativo da unidade das esquerdas. Este bloco deve abolir a influência do império; ou seja, devemos nos sublevar contra as potências capitalistas que fazem pesar em cada canto do mundo o medo, a expropriação, a submissão paralisante.

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