quarta-feira, 9 de junho de 2010

O ROSTO JOVEM DO MPA

A juventude é uma das forças mais reprimidas pelo capital, pela miséria, entregues a informalidade do mundo do trabalho, violência, exploração sexual, a sociedade consumista. Entretanto, quando decidida e organizada, é certeza de boas lutas, de esperança; organizados são protagonistas dos processos de transformação, da construção da nova sociedade. Sua participação significa vigor, coragem, dinamicidade, criatividade, virtudes contagiantes.

A participação dos jovens no III EN e a realização da plenária nacional dos jovens do MPA veio reafirmar tal importância e suas insubstituíveis tarefas nas lutas populares. Foram 450 jovens participando e integrando todas as esferas organizativas do Movimento. Esta participação maciça e qualificada confirma e nos leva a refletir sobre este rosto necessário, indispensável na re-criação/re-emersão do MPA e na transformação da sociedade.

Neste sentido, reporto-me a experiência histórica dos jovens (através de seus compromissos nas pastorais, oposições sindicais, luta contra a ditadura, acampamentos, origem do PT, nos grupos de base do sindicalismo e nas origens e história do MPA) e aos ensinamentos políticos de Lênin acerca das tarefas da juventude (1920) para por luz a este rosto, uma das bases da re-criação/re-emersão do Movimento. Parafraseando Lênin, a juventude camponesa é a depositária da tarefa de re-criação/re-emersão do MPA e, com os demais jovens organizados, construir a sociedade socialista; somente a juventude, educada, consciente e organizada poderá fazer ruir o capitalismo.

Sabemos que as tarefas da juventude são imensas e sua práxis se manifesta nas lutas políticas, na prática e experiências alternativas populares, no duro da sobrevivência no mundo do trabalho, produção, formação e educacao. Todos estes espaços se apresentam como oportunidades pedagógicas e espaços potenciais para o exercício do protagonismo consciente e transformador, além de ser espaços para a formação da consciência de construção do saber. Mas, queremos mencionar um espaço por excelência, que segundo Lênin, é a primeira tarefa da juventude, o do aprender. Sim, a tarefa de aprender é fundamental em nossos dias, diante da complexidade que estamos inseridos.

Mas, não é qualquer aprendizado; é preciso saber o que aprender, como aprender, para que aprender. Esta tarefa passa pelo compromisso de rever o sistema educacional, de ensino vigente. No rastro dos pedagogos socialistas e da pedagogia libertadora, apreender não é saber por saber, separação entre teoria e prática, entre técnica e política. Neste sentido a dicotomia é a manifestação de traço herdado da velha sociedade. Nisso está a critica á velha escola, a critica freiriana ao sistema educacional formal, bancário, domesticador, extensionista, vigente em nossas redes escolares.

Em um dos escritos de Freire (“Considerações sobre o ato de estudar”,1982) o ato de estudar é compreendido como um trabalho difícil, exigindo postura crítica, sistemática, disciplinada, animada. Esta é a tarefa urgente que nos é colocada neste momento histórico para os quadros e as massas da juventude camponesa. E é tarefa, pois o ato de estudar, segundo Freire, significa assumir o papel de sujeito critico de seu ato (não ser vasilha, deixar-se domesticar), é ter atitude frente ao mundo (relacionando-se, enfrentando-o), é atitude de inquietude, de diálogo, humildade, é um ato de criar e recriar.

Ou seja, aprender é a tarefa que se impõe á juventude. O que temos de acumulado historicamente não se joga fora, precisa ser apropriado, deve ser transformado, aproveitando tudo que é bom para o nosso projeto. E mais, conhecer o inimigo, sua teoria, sua estratégia, as leis de desenvolvimento da sociedade capitalista, é condição para se criar o novo (conhecer o velho para se criar o novo). Este aprender deve ser assimilação crítica, saber útil, social, atual, contextualizado, capaz de responder aos desafios presentes, a serviço da causa popular e não como a escola burguesa o faz, padronizando, bitolando, castrando, adestrando para produzir mais valia e defender sua ideologia.

Nesta grande empreitada seremos desafiados a amadurecer uma concepção de educacao e uma metodologia ativa e eficaz. Significa reconstruirmos uma moral de militantes socialistas, subordinada aos interesses da luta de classes, a um compromisso com a unidade. Significa que os jovens devem acreditar na sua força e ocupar imediatamente o máximo de espaços dentro do Movimento.

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