A lógica do capitalismo, desde o seu nascimento, é expropriar, apropriar-se, excluir, ou seja, sua racionalidade é a exploração da força de trabalho, da intensificação da exploração dos recursos naturais, da mais-valia. Sua sede é insaciável a ponto de lhe consumir, levar-lhe a morte.
A crise é algo intrínseco na existência do capitalismo; elas se sucedem através da história, ganhando novas formas, sendo expressão da luta de classes, de suas contradições. Em outras palavras, as crises do capitalismo são inevitáveis, são resultado das contradições inerentes de seu modo de produção (queda da taxa média de lucro, processo de concentração e centralização do capital, produção social e apropriação privada). Marx, em “O Capital” (1974) afirmava que “as crises não são mais do que soluções momentâneas e violentas das contradições existentes, erupções bruscas que restauram transitoriamente o equilíbrio desfeito".
Hoje, vivemos um período onde as contradições e sujeiras capitalistas chegaram a seu momento critico. A crise é estrutural, assumindo diversas dimensões: ideológica, ética, ambiental, energética, alimentar. Isso faz com que o sistema se incline para a violência, para a repressão, com ofensiva ideológica, militarização, barbárie.
O custo da crise é pago com o aumento de exploração da natureza e da força de trabalho, com rebaixamento das condições de sobrevivência, recessão, arrocho salarial, desemprego, ataque aos diretos conquistados pelos trabalhadores, sofrimento social. Esta é alternativa e receita na perspectiva capitalista para a saída das crises.
Tratando-se dos camponeses, o capitalismo expropria e explora sem piedade o suor, a terra, água, a capacidade de reprodução das sementes, animais e vegetais, a esperança. Tudo que é relacionado ao campo popular passa a ser objeto de disputa: a educacao, o desenvolvimento, o território, os recursos, etc.
Esta ofensiva do capitalismo ganha impulso e trânsito livre, a medida que o campo popular encontra-se também em crise (política, ideológica, organizativa, pragmática, de unidade) e numa posição defensiva, com quadros históricos envolvidos em reformismos, fazendo política de conciliação de classes, “abrindo mão” em ser movimento social revolucionário para viver a comodidade/conformação de uma organização institucional amansada pelos apadrinhamentos, benesses das políticas públicas, regalias e estabilidade de certos quadros.
Nestas circunstâncias, a atual conjuntura é desfavorável ás classes oprimidas; o campo popular convive com as dores de parto, nesta busca de horizontes, de espaços libertadores e transformadores. Entretanto, esta mesma conjuntura abre possibilidades para a classe camponesa e trabalhadora em geral, pois a crise e o sofrimento social transformam-se em processos pedagógicos, revelando o rosto perverso do capital, testando a resistência, criando condições objetivas e subjetivas para a elevação da consciência, unindo e organizando as classes oprimidas, ou seja, a crise e o sofrimento social colocam os camponeses nas estradas, em confronto com a classe dominante.
Neste contexto de crise e perspectivas libertadoras o MPA passa a ser uma alternativa de organização do campesinato brasileiro (pela história, bases, proposições, vitalidade ideológica). O MPA se propõe a colocar em movimento uma classe adormecida, recuperar o potencial revolucionário dos camponeses e camponesas. Nisso o Movimento segue os ensinamentos do marxismo-leninismo, compreendendo que a história é a história das lutas de classes, onde as massas exploradas fazem história e, sob a direção da organização política e ideológica a que pertencem, assumem o papel de educadoras, tarefas de mobilização e construção de um novo projeto.
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