quinta-feira, 13 de maio de 2010

VITÓRIA DA CONQUISTA, VITÓRIA DA CONSTRUÇÃO DA CLASSE CAMPONESA

VITÓRIA DA CONQUISTA, VITÓRIA DA CONSTRUÇÃO DA CLASSE CAMPONESA


O III Encontro Nacional realizou-se em Vitória da Conquista, Bahia, nos dias 12 a 16 de abril de 2010. O encontro foi massivo, reunindo mais de 1000 militantes de 17 estados brasileiros, além de delegações de 06 países, ONGs parceiras e representantes de Movimentos Sociais Populares coordenados pela Via Campesina (MAB, CPT, MST, FEAB).

Na verdade, o encontrar-se em Vitória da Conquista foi a culminância de uma caminhada, com um antes, um durante e um depois. A culminância é o novo inicio, impulso para uma mesma caminhada. Neste processo do III EM destacamos sua dimensão educativa, formativa e essencialmente comprometedora.

O antes foi um momento que vai desde o final do II EN até a chegada em Vitória da Conquista ao III EM. Envolveu uma caminhada de práticas do II Nacional, vitórias e entraves nas lutas, preparação com assembléias estaduais, regionais, municipais, reuniões de coletivos, equipes executivas, coordenações, direções, etc. Todo este momento foi essencialmente educativo, formador, comprometedor.

O durante inicia com a escolha dos delgados, o compromisso com as decisões de cada estado, com a viagem rumo a Vitória da Conquista, com seus preparativos, formação de equipes, convivência nos ônibus, os lugares onde se passa, a chegada e recepção calorosa, a acomodação... É a abertura, a apresentação das delegações, as místicas, a animação, os objetivos, a pauta, o desenvolver o do III Encontro nacional, suas análises, debates, encaminhamentos, resoluções. O durante faz nascer as bases do depois, envia para as bases, para os estados, distribui as tarefas históricas. E se estende na viagem de volta, com as avaliações formais e informais realizadas pelas delegações.

O depois do EN é a fase que estamos a construir, a partir do vivenciar as determinações e resoluções, é fazer carne o espírito contido na Carta aos Camponeses e Camponesas (em anexo). Aqui nos encontramos diante das tarefas, desafios, inclusive desta tarefa de realizar uma releitura do III EN.

Junto com o desenvolvimento do encontro foram realizados lançamentos três campanhas nacionais (contra a violência da mulher e contra os agrotóxicos, campanha nacional de auto-sustentacao do Movimento), duas plenárias (plenária nacional da juventude e plenária nacional das mulheres do MPA), além do nascimento e dos desafios em consolidar o MPA Mirim.

Destacamos que solidariedade internacional e latino-americana foi uma dos momentos fortes do III encontro; se foi dito pelas delegações dos países presentes que o MPA é uma esperança e experiência que precisa ser internacionalizada, acreditamos que demos passos concretos rumo aos compromissos e tarefas internacionalistas, seja através das moções de apoio , pela solidariedade (enviando militantes através de brigadas), pelo compromisso político assumido.

Estas campanhas, plenárias, moções e compromissos internacionais merecem ser retomados mais adiante, significados e trazem para nós oportunidades inigualáveis para processos educativos, formativos, de consolidação política e ideológica, ou seja, são oportunidades históricas na vida, presente e futuro do MPA.

Por fim, creio que a caminhada vai dando resignificados históricos importantes. Estamos numa fase de recriação do Movimento, depois de passados 14 anos de resistências e de afirmações. “MPA – o novo nasce das estradas” foi o título que refleti em trabalho de mestrado em 2004. Na verdade, a estrada está sendo “o lugar” para nascer, resistir, se afirmar, construir-se como classe social. Não há outra via a não ser a estrada. Poderia ser a produção? Sim, mas sem estrada nada de novo!. Poderia ser a comercialização? Sim, mas nada sem a estrada! Poderia ser a Reforma Agrária? Sim, mas nada sem a Estrada! Vitória da Conquista foi a estrada e se fez estrada para os próximos anos.

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